Governo Mundial à Sombra – Bilderberg Group

Parece cena de cinema: limusines e carros de luxo com vidros esfumaçados rodeados de seguranças e helicópteros chegando a um mesmo destino, o altamente confortável hotel Dolce, Sitges, em Barcelona, na Espanha. Ali, de 03 a 06 de junho de 2010, ocorreu mais uma ‘reunião anual’ do Bilderberg Group, com os 130 maiores chefões da economia, das finanças, da política e da mídia da América do Norte e da Europa, um “clube exclusivo”: é o chamado “governo mundial à sombra”. Desde 1954, a idéia do conselheiro e analista político Joseph Retinger de criar um ‘grupo de controle do mundo’, foi colocada em prática a partir de impulsores iniciais como o magnata norte-americano David Rockefeller, o príncipe Bernhard da Holanda e o então primeiro-ministro belga, Paul Van Zeeland. Inicialmente, o grupo visou combater o crescente ‘anti-norte-americanismo’ que existia na Europa e contestar idéias socialistas novamente fomentadas naquele continente. Assim, a primeira reunião foi realizada no Hotel Bilderberg, em Osterbeck, Holanda, entre 29 e 30 de maio de 1954, surgindo daí o nome do grupo, que se reúne todos os anos (com exceção de 1976).

O grupo tem um núcleo permanente com 39 membros do chamado ‘Steering Comittee’, sendo os demais convidados às reuniões anuais. Nenhum dos participantes pode conceder entrevistas nem pode revelar o que foi dito e ouvido nas reuniões. Todos devem dominar plenamente a língua inglesa, porquanto não há tradutores presentes. Declarações importantes de membros do ‘grupo’ já deram pistas do que se trata a sua organização, como David Rockefeller que disse em uma reportagem à ‘Newsweek’: “Algo deve substituir os governos e parece-me que o poder privado é a entidade adequada para o fazer’; e o banqueiro James P. Warburg já afirmou: “Quer gostem quer não, teremos um governo mundial. A única questão é se será por concessão ou por imposição”.

Esse ‘grupo’, além de poder monetário, bélico e político detém o poder de informações privilegiadíssimas, com o que multiplicam o seu já enorme poder.

Assim como decidiram já antes as invasões do Afeganistão e do Iraque, o ano passado determinaram que ocorra o mesmo com o Irã. Atualmente, conforme estudiosos do assunto, a preocupação maior é com o crescimento da economia da China, que é considerada uma ‘ameaça econômica’ aos seus interesses, dada as repercussões nas sociedades norte-americana e européias. Na reunião desse ano, além do ‘Steering Comittee’, estiveram presentes, entre outros, os presidentes da Fiat, Coca Cola, France Telecom, Telefonica da Espanha, Suez, Siemens, Shell, Novartis e Airbus. Dentre os gurus das finanças e da economia, estiveram o especulador George Soros; os assessores econômicos do governo norte-americano, Paul Volcker e Larry Summers; o secretário do Tesouro Britânico, George Osborne; o influente ex-presidente da Goldman Sachs e da BP (British Petroleum – aquela mesma que provocou o desastre ecológico no Golfo do México), Peter Shilton;  o presidente do Banco Mundial, Robert Zoellic; o diretor-geral do FMI, Dominique Strauss-Kahn; o diretor da Organização Mundial de Comércio, Pascal Lamy; o presidente do Banco Central Europeu, Jean Claude Trichet; o presidente do Banco Europeu de Investimentos, Philippe Maustad.

Pelo lado do monstruoso poder bélico, entre outros, estiveram presentes o ex-secretário de Defesa de Bush, Donald Rumsfeld; seu assecla direto, Paul Wolfowitz; o segretário-geral da OTAN, Anders Fogh Rasmussen e seu antecessor no cargo, Jaap de Hoop Scheffer.

Interessante notar que, nenhum, absolutamente nenhum órgao importante da imprensa noticiou uma linha sequer sobre essa reunião. Não à toa, pessoas mais informadas afirmam que ‘o mundo vive às avessas, com democracias controladas, tuteladas e pressionadas pelas ditaduras dos poderes financeiros e bélicos’. Além de sabermos que esse ‘grupo’ governa o destino da humanidade à sombra (esqueçam a ONU!), ocultando e fazendo ocultar as realidades, definindo pobrezas e morticínios, mentindo e enganando a partir de privilégios especialíssimos, vale aqui, para nós simples mortais brasileiros lembrar que, George W. Ball, norte-americano ex-Secretário de Estado (de 1961-1968), um dos artífices da ditadura oligárquica-militar do Brasil, participou antes de reuniões desse grupo.

Fontes:

– Opera Mundi – http://operamundi.uol.com.br/

– Wikipedia – http://pt.wikipedia.org/wiki/Clube_de_Bilderberg

– Wikipedia – http://en.wikipedia.org/wiki/Bilderberg_Group

– Bildeberg Meetings – http://www.bilderbergmeetings.org

– Granma – http://www.granma.cu/

– Sama Multimidia – http://www.samamultimidia.com.br/port/catalogo/art02-bilderberg.html

– BBC – http://news.bbc.co.uk/2/hi/uk_news/magazine/3773019.stm

Lista Oficial de Participantes 2010 – http://www.bilderbergmeetings.org/participants_2010.html

Lista de Participantes desde 1954 – http://en.wikipedia.org/wiki/List_of_Bilderberg_participants

Constituição do ‘Steering Committee’ – http://www.bilderbergmeetings.org/governance.html

Escrever é remédio

ESCREVER É REMÉDIO

“E se, desse ato de se voltar para dentro de si, desse aprofundamento em seu próprio mundo, resultarem versos, o senhor não pensará em perguntar a alguém se são bons versos. […] Uma obra de arte é boa quando surge de uma necessidade. É no modo como ela se origina que se encontra seu valor, não há nenhum outro critério”.

Rainer Maria Rilke in “Cartas a um jovem poeta”.

Um artigo de Jessica Wapner, publicado pela Scientific American (VI – 74),  mencionou a pesquisa da neurocientista Alice Flaherty, do Massachussetts General Hospital e da Harvard University, confirmando os benefícios terapêuticos de escrever sobre experiências pessoais, pensamentos e sentimentos,  já aquinhoados por outros cientistas.

De fato, “além de servir como um mecanismo para aliviar o estresse, expressar-se pela escrita traz muitos benefícios fisiológicos”. As pesquisas apontam que escrever, além de “aprimorar a memória” e qualificar o sono, “estimula a atividade dos leucócitos” (inclusive reduzindo a carga viral em pacientes com aids, por exemplo), e até mesmo “acelera a cicatrização após uma cirurgia”.

Já um estudo publicado pela “Oncologist” afirma que “pacientes com câncer que escreviam para relatar seus sentimentos logo depois do tratamento se sentiam muito melhor, mental e fisicamente, em comparação a pacientes que não se deram e esse trabalho”. A neurocientista Nacy Morgan, principal autora desse estudo  trabalha nas recomendações de incorporação de programas de redação na medicina preventiva para pacientes de câncer. Alguns hospitais começaram a hospedar blogs de pacientes-autores em seus websites à medida que os clínicos passaram a reconhecer seu valor terapêutico.

Alice Flaherty estuda tanto casos como a hipergrafia (desejo incontrolável de escrever) quanto o bloqueio criativo (inibição na escrita), bem como as motivações por trás das publicações na web. Flaherty explica que “localizado principalmente no centro do cérebro, o sistema límbico controla nossas motivações, sejam elas relacionadas à comida, ao sexo, ao desejo ou à resolução de problemas” e “que algo no sistema límbico fomenta o desejo de se comunicar”, concluindo que publicar na web “pode desencadear a liberação de dopamina, algo parecido com os estímulos que sentimos quando escutamos música, corremos ou apreciamos uma obra de arte.”

Tudo isso é muito positivo para incentivar ainda mais as pessoas a escrever. Escrever é uma forma de arte. A arte-educadora Ana Mae Barbosa, professora da USP, já afirmou que “a arte desenvolve a cognição, a capacidade de aprender” e que “a arte não tem certo ou errado. O importante na arte é poder ousar sem medo, explorar, experimentar e revelar novas capacidades”. Agora também sabemos que, além de desenvolvimento cultural, escrever e publicar é também remédio. Escrevamos, então! Se puristas surgirem no caminho (com respostas sem perguntas) mentalize Manuel Bandeira (um dos maiores escritores de todos os tempos):

Poética

Estou farto do lirismo comedido
Do lirismo bem comportado
Do lirismo funcionário público com livro de ponto
[expediente protocolo e manifestações de apreço ao sr. diretor

Estou farto do lirismo que pára e vai averiguar no
[dicionário o cunho vernáculo de um vocábulo

Abaixo os puristas

Todas as palavras sobretudo os barbarismos universais
Todas as construções sobretudo as sintaxes de exceção
Todos os ritmos sobretudo os inumeráveis

Estou farto do lirismo namorador
Político
Raquítico
Sifilítico
De todo lirismo que capitula ao que quer que seja fora
[de si mesmo.

De resto não é lirismo
Será contabilidade tabela de co-senos secretário do
[amante exemplar com cem modelos
[de cartas e as diferentes maneiras
[de agradar as mulheres, etc.

Quero o lirismo dos loucos
O lirismo dos bêbedos
O lirismo difícil e pungente dos bêbedos
O lirismo dos clowns de Shakespeare

– Não quero mais saber do lirismo que não é libertação.

Manuel Bandeira

in “Bandeira de Bolso” – L&PM , 166 p., p.74-75.

Publicado no Recanto das Letras

http://recantodasletras.uol.com.br/ensaios/2443736